Mudanças
Entrar para a faculdade é uma das grandes mudanças que ocorrem na vida qualquer jovem que decida enveredar para uma formação superior. A escolha de uma instituição numa região diferente, quer por opção ou por necessidade, é de facto muito enriquecedora mas, apesar de tudo, um estudante insular sente outro tipo de dificuldades ao ir estudar para fora da sua área de conforto.

O que parecia ser uma aventura torna-se numa luta quotidiana. Encontrar casa, gerir a mesada entre o aluguer e a alimentação torna-se um desafio. Sentimos falta dos velhos amigos, daquele apoio familiar próximo e o simples passar de fim de semana a casa, como alguns colegas, é impensável pois estamos sujeitos à calendarização escolar, e cujos períodos de descanso coincidem nas épocas altas (Natal, Páscoa), o que inflaciona o preço das viagens de avião.
Além destes sacrifícios, existe um ainda maior: as propinas. Em Portugal, a quase totalidade das universidades e politécnicos públicos aplica, actualmente, a propina máxima, posicionando Portugal no terceiro lugar dos países da União Europeia em que os alunos mais pagam nas instituições públicas. Perante a actual conjuntura, num agregado familiar com dois ou mais estudantes no ensino superior, as contas têm que ser bem feitas, e para um agregado insular o custo é acrescido.
Cada vez mais os estudantes em cada universidade/politécnico, recorrem a bolsas ou empréstimos bancários concedidos por períodos curtos e com taxas de juro elevadas (apesar de mais baixas do que as praticadas nos empréstimos em geral).
Portugal na situação em que se encontra deve prioritar as suas escolhas tal como nós estudantes fazemos! Perante os problemas que atravessamos, espero que, para bem do futuro dos estudantes, haja um modelo de desenvolvimento de estabilidade e confiança e de oferta de trabalho. Que haja criação de políticas de Estado de ajuda e que estas contemplem a oferta de crédito bonificado para manter as escolas/ universidades um instrumento de igualização para todos os estudantes e para que estes tenham a oportunidade de concorrer em igualdade de circunstancias no mercado de trabalho a nível nacional e internacional.
convidado: Diliana Jardim
(estudante de Engenharia Civil em Lisboa)






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